NOVOS DISCOS

Alinhamento:
1. Intro
2. VCR
3. Crystalised
4. Islands
5. Heart Skipped A Beat
6. Fantasy
7. Shelter
8. Basic Space
9. Infinity
10. Night Time
11. Stars
The XX - XX
Gonçalo Palma
O álbum de estreia dos XX, "XX", é uma das estreias mais consistentes do ano. Os seus autores são quatro estudantes londrinos que, provavelmente, ainda não tiveram tempo para ter nas mãos os seus canudos de doutores.
O grupo obedece ao mesmo minimalismo simples dos inesquecíveis Young Marble Giants. A guitarra é fanhosa e a caixa de ritmos apoia-se em sequências básicas. As distrações oferecidas pelas estrutura instrumental de aprendiz dos XX são também calculadas ao mínimo. O foco é, deliberadamente, a canção, e grandes virtuosismos técnicos são proíbidos.
Mas desenganem-se aqueles que esperam dos XX o comportamento de meros bons alunos da escola Young Marble Giants. Há ali uma indisciplina face aos mestres bastante recomendável.
O acasalamento entre a voz feminina de Romy Madley Croft e a masculina de Oliver Sim descobre um novo continente (bem maior que o apaixonante quartinho dos Young Marble Giants) onde cabem desde uns Jesus & Mary Chain mais bonacheirões a uma soul-pop mais orelhuda de uma Adele.
O milagre abrangente tem uma serenidade vespertina curiosa e atraente, com uma economia de esforços - dois ou três instrumentos mal tocados bastam - que vale um lucro brutal de 11 melodias mágicas.
"XX" não é só um tratado por si mesmo. É também um tratado de paz improvável entre o indie pop mais doméstico e o r&b dançarino e festivo. A música cumpre aqui a missão fresca de estabelecer pontes que ainda faltavam construir entre pontos que estavam inacessíveis.

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